O Laboratório Cristália, o mesmo envolvido nos testes da polilaminina, está desenvolvendo uma vacina contra a dependência de nicotina.
A proposta é diferente dos tratamentos disponíveis contra o tabagismo, que buscam substituir a nicotina ou reduzir os sintomas da abstinência.
A vacina pretende estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos capazes de se ligar à nicotina no sangue e impedir que a substância atravesse a barreira hematoencefálica e chegue ao cérebro.
A nicotina normalmente chega rapidamente ao cérebro, onde ativa receptores nicotínicos de acetilcolina e favorece a liberação de dopamina, ligada à sensação de prazer e ao sistema de recompensa.
Segundo Ogari Pacheco, fundador e presidente do Conselho Diretivo do Cristália e idealizador do projeto, a intenção da vacina é interromper esse mecanismo.
“Uma vez vacinado, se o paciente fumar, os anticorpos capturariam a nicotina ainda na corrente sanguínea, impedindo-a de atravessar a barreira hematoencefálica”, explica Pacheco.
A busca por novas estratégias acontece em um cenário de alta dependência do tabaco. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco está relacionado a cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo, incluindo aproximadamente 1,3 milhão decorrentes do fumo passivo.
Caso as próximas etapas apresentem resultados positivos, a tecnologia ainda precisará passar por estudos clínicos e pelo processo de aprovação das autoridades sanitárias antes de eventualmente chegar à população.






